<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-13908098</id><updated>2011-12-01T13:30:00.912-08:00</updated><title type='text'>Era uma vez em Porto Alegre</title><subtitle type='html'>Era uma vez em Porto Alegre um pistoleiro sem nome. Não um herói: talvez um caçador de recompensas, um errante em busca de algo que nunca soube bem o que seria. Alguém que derrama o sangue de muitos, mas poupa a vida dos inocentes. Um pistoleiro sem revólver, mas com tempo suficiente para ficar escrevendo bobagens pretensiosas em seu computador. Um pistoleiro como... IGOR EASTWOOD</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://eraumavezemportoalegre.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13908098/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eraumavezemportoalegre.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Igor Eastwood</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17275060186973614016</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='26' src='http://www.screensavershot.com/persons2/clint.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>12</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13908098.post-114076888677018826</id><published>2006-02-24T00:00:00.000-08:00</published><updated>2006-02-24T00:14:46.786-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;CHUCK NORRIS IN FABICO&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É o que dá não ter o que fazer. Eu e a Carol, no MSN, falamos tanta bobagem que acabamos concebendo essa pequena maravilha da cultura pop fabicana - &lt;strong&gt;Chuck Norr&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;is &lt;/strong&gt;in Fabico. Não poderíamos deixar de compartilhar com vocês, claro. No blog da Carol são 50, aqui no Era Uma Vez Em Porto Alegre são 48 - quem descobrir os dois que estão faltando aqui ganha um roundhouse kick! Ahn, ahn, ahn?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá vai:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;01. Rosa Nívea conheceu &lt;strong&gt;Chuck Norris&lt;/strong&gt;. Sua mente não resistiu à experiência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;02. &lt;strong&gt;Chuck Norris&lt;/strong&gt; passou na frente da Fabico e disse:'reformem essa merda'. O reitor não ousou&lt;br /&gt;discutir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;03. &lt;strong&gt;Chuck Norris&lt;/strong&gt; deu um roundhouse kick no terceiro andar. Assim começou a reforma do estúdio de TV.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;04. O novo diretor da Fabico tinha 2m de altura e uma vasta cabeleira. Até ver &lt;strong&gt;Chuck Norris&lt;/strong&gt; dar um rounhouse kick no terceiro andar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;05. &lt;strong&gt;Chuck Norris&lt;/strong&gt; não teme ninguém. Mas evita conversar com Rosa Nívea.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;06. &lt;strong&gt;Chuck Norris&lt;/strong&gt; é a única coisa que o Enrico não considera um absurdo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;07. &lt;strong&gt;Chuck Norris&lt;/strong&gt; não teve aula com o Carvalho. Quando o professor começou a falar, ele se irritou e deu um leve roundhouse kick na cara dele, como aviso. Durante um semestre o Carvalho falou fininho, e ainda hoje, seqüelas no cérebro o fazem dormir nas apresentações dos alunos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;08. &lt;strong&gt;Chuck Norris&lt;/strong&gt; fez um curta para linguagem de vídeo. Não há sobreviventes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;09. &lt;strong&gt;Chuck Norris&lt;/strong&gt; ensinou semiologia para o Milman. E ele não aprendeu muito bem!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;10. &lt;strong&gt;Chuck Norris&lt;/strong&gt; não faz edição. Ele tortura a ilha até ela montar o vídeo para ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;11. &lt;strong&gt;Chuck Norris&lt;/strong&gt; ataca o elevador. O elevador não é bobo para atacar &lt;strong&gt;Chuck Norris&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;12. Um dia, &lt;strong&gt;Chuck Norris&lt;/strong&gt; saiu do elevador dizendo: "o oitavo andar é muito chato". Nunca mais alguém conseguiu ir até lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;13. &lt;strong&gt;Chuck Norris&lt;/strong&gt; dançou numa chinelagem. Não há sobreviventes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;14. Todos os fabicanos sofrem trote. O trote sofre &lt;strong&gt;Chuck Norris&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;15. Quando &lt;strong&gt;Chuck Norris&lt;/strong&gt; não gostava de uma aula, ninguém hesitava em tirá-la do currículo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;16. &lt;strong&gt;Chuck Norris&lt;/strong&gt; teve a maior arrecadação de pedágio da história dos trotes. Ele parava os carros e se apresentava como &lt;strong&gt;Chuck Norris&lt;/strong&gt;. O valor arrecadado foi maior que o lucro anunciado pelo Banco do Brasil daquele ano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;17. &lt;strong&gt;Chuck Norris&lt;/strong&gt;, de vez em quando, matava algumas aulas. Essa é a história da mudança de currículo da fabico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;18. &lt;strong&gt;Chuck Norris&lt;/strong&gt; doou todos os cadáveres que o ICBS tem hoje. Todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;19. Existem quatro valores no RU: para alunos, visitantes, alunos carentes e &lt;strong&gt;Chuck Norris&lt;/strong&gt;. Geralmente ele é bem pago para comer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;20. &lt;strong&gt;Chuck Norris&lt;/strong&gt; não usa carteira de ônibus. Nenhum cobrador ousa cobrar passagem dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;21. Originalmente, a ufrgs não era gratuita. Até &lt;strong&gt;Chuck Norris&lt;/strong&gt; chegar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;22. &lt;strong&gt;Chuck Norris&lt;/strong&gt; não precisou completar a faculdade para se formar. Logo após o vestibular ele recebeu os diplomas em jornalismo, economia, direito, medicina e veterinária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;23. Uma vez &lt;strong&gt;Chuck Norris&lt;/strong&gt; chegou atrasado numa aula do Rudiger. Quem saiu da sala foi o professor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;24. Roundhouse kick era uma cadeira da faculdade de Educação Física. Ela foi extinta depois que &lt;strong&gt;Chuck Norris&lt;/strong&gt; deu uma demonstração e, além de matar toda a turma, jogou a ESEF pra bem longe do campus da saúde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;25. &lt;strong&gt;Chuck Norris&lt;/strong&gt; foi jubilado. 15 vezes. Ninguém ousou avisá-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;26. &lt;strong&gt;Chuck Norris&lt;/strong&gt; não paga multa para a biblioteca. A biblioteca paga &lt;strong&gt;Chuck Norris&lt;/strong&gt; para não ser destruída com um roundhouse kick.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;27. No baralho espanhol de &lt;strong&gt;Chuck Norris&lt;/strong&gt;, todas as cartas são ás de espadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;28. &lt;strong&gt;Chuck Norris&lt;/strong&gt; uma vez viu uma turma de arquivologia. Não há sobreviventes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;29. Quer fazer o Milman parar de fumar? Diga "olha que o &lt;strong&gt;Chuck Norris&lt;/strong&gt; vai vir te pegar!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;30. &lt;strong&gt;Chuck Norris&lt;/strong&gt; não tem carteirinha da UFRGS. Quando o cara do centro de identificação disse q ia BATER a foto dele, &lt;strong&gt;Chuck Norris&lt;/strong&gt; se irritou e deu um roundhouse kick no fotógrafo. Ninguém bate nada em &lt;strong&gt;Chuck Norris&lt;/strong&gt;. Ninguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;31.Mas tudo bem, porque se não deixarem ele entrar em algum prédio, &lt;strong&gt;Chuck Norris&lt;/strong&gt; simplesmente ameaça dar um roundhouse kick e está tudo resolvido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;32. &lt;strong&gt;Chuck Norris&lt;/strong&gt; considera a Rosa Nívea a melhor professora da Fabico. Não é saudável discordar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;33. &lt;strong&gt;Chuck Norris&lt;/strong&gt; é o único que realmente sabe para que serve um relações públicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;34. Uma vez, &lt;strong&gt;Chuck Norris&lt;/strong&gt; utilizou o Lico. Os computadores nunca mais se recuperaram do choque&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;35. &lt;strong&gt;Chuck Norris&lt;/strong&gt; não tem intencionalidade. Ele age. E mata.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;36. Intencionalidade pode ser também com "s". Se &lt;strong&gt;Chuck Norris&lt;/strong&gt; quiser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;37. Uma vez, disseram a &lt;strong&gt;Chuck Norris&lt;/strong&gt; que haviam homúnculos no seu cérebro. Hoje, nenhum deles ainda vive.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;38. Semestre passado, &lt;strong&gt;Chuck Norris&lt;/strong&gt; pegou o Milman fumando. Ele teve que pedir licença médica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;39. &lt;strong&gt;Chuck Norris&lt;/strong&gt; não joga sinuca. Ele olha para as bolas, e elas caem na caçapa de medo. Por isso &lt;strong&gt;Chuck Norris&lt;/strong&gt; sempre ganha dando capote no adversário. Sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;40. &lt;strong&gt;Chuck Norris&lt;/strong&gt; nunca passou debaixo da mesa de sinuca. A mesa de sinucapassa por baixo de &lt;strong&gt;Chuck Norris&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;41. A porta do dacom está sempre aberta para &lt;strong&gt;Chuck Norris&lt;/strong&gt;. Sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;42. Na verdade, o único que comeu a Luana foi &lt;strong&gt;Chuck Norris&lt;/strong&gt;. Ela não sobreviveu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;43. O pátio de inverno era antes o auditório da fabico. Até &lt;strong&gt;Chuck Norris&lt;/strong&gt; dar um roundhouse kick no teto, num dia de calor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;44. &lt;strong&gt;Chuck Norris&lt;/strong&gt; ganhou uma nota de 50 reais num pedágio. Ficou tão revoltado por receber tão pouco dinheiro que, para evitar o roundhouse kick, o homem entregou-lhe as chaves de seu carro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;45. &lt;strong&gt;Chuck Norris&lt;/strong&gt; não teve que escrever a redação do vestibular. Bastou escrever "&lt;strong&gt;Chuck Norris&lt;/strong&gt;" no título.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;46. A cerveja acaba em todas as festas à fantasia 2 segundos depois da chegada de &lt;strong&gt;Chuck Norris&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;47. &lt;strong&gt;Chuck Norris&lt;/strong&gt; não precisou defender a sua monografia. A banca fugiu de medo ao ler o título: "Uma análise prática das diferentes formas de se aplicar um roundhouse kick. De &lt;strong&gt;Chuck Norris&lt;/strong&gt;".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;48. Uma vez, um guardador de carros pediu uma gorjeta a &lt;strong&gt;Chuck Norris&lt;/strong&gt;. Desde então, todas as vagas de estacionamento próximas de qualquer unidade da UFRGS pertencem a &lt;strong&gt;Chuck Norris &lt;/strong&gt;- e os guardadores pedem gorjetas para poderem subornar &lt;strong&gt;Chuck Norris&lt;/strong&gt; e escaparem do roundhouse kick.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13908098-114076888677018826?l=eraumavezemportoalegre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eraumavezemportoalegre.blogspot.com/feeds/114076888677018826/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13908098&amp;postID=114076888677018826&amp;isPopup=true' title='38 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13908098/posts/default/114076888677018826'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13908098/posts/default/114076888677018826'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eraumavezemportoalegre.blogspot.com/2006/02/chuck-norris-in-fabico-o-que-d-no-ter.html' title=''/><author><name>Igor Eastwood</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17275060186973614016</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='26' src='http://www.screensavershot.com/persons2/clint.jpg'/></author><thr:total>38</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13908098.post-113972173221796510</id><published>2006-02-11T21:19:00.000-08:00</published><updated>2006-02-11T21:22:12.230-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;BENTO GONÇALVES, 06/02 A 08/02 – EM 10 CENAS&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;CENA 01&lt;/strong&gt;: 06/02. Oito da manhã. Olho para minha mala, jogada num canto da entrada da casa da Luci e da Leti. Ecoam na minha mente as palavras da Luci: “tu sabe que a gente vai passar lá só uns dias, né?”. O sorriso surge naturalmente no meu rosto. Na poltrona, o Pinky está fingindo que acordou. No banheiro, a Luci está terminando de se arrumar. Eu pego a minha mala, e ela parece mais pesada do que na noite anterior. Penso que o sono antes de uma viagem é o tipo de coisa que não se deveria negligenciar. Um facho de luz entra pela cortina semicerrada da janela da sala e forma um pequeno arco-íris contra a parede branca. Espanto o pensamento e coloco a alça da mala de viagem sobre o ombro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;CENA 02:&lt;/strong&gt; 06/02. Pouco depois das onze da manhã. No ônibus, viagem de ida. Olho ao redor, depois de ficar cerca de quinze minutos ouvindo música de olhos fechados, e percebo que acabamos de passar o barril de vinho estilizado que faz as vezes de entrada de Bento Gonçalves. Cutuco a Luci, que está dormindo no assento ao lado, e quando ela acorda digo: “vê se essa paisagem te diz alguma coisa”. Ela abre os olhos devagar e diz: “nossa, já estamos em Bento!”. Eu rio baixinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;CENA 03:&lt;/strong&gt; 06/02. Final da tarde. Visitando a estação da Maria Fumaça. Entro em um certo estágio de frenesi: começo a andar de lá para cá, pensando em enquadramentos e movimentos de câmera. A Carol e a Luci, a seu modo, fazem algo parecido, ou talvez não. Depois, voltamos a pé até o carro, andando entre os trilhos do trem. O som do cascalho pisado me lembra a casa da minha avó.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;CENA 04:&lt;/strong&gt; 06/02. Perto das dez horas da noite. Jantar com o dono da empresa que coordena o funcionamento da Maria Fumaça e da viação Santo Antonio. Ele conta boa parte da história de sua vida de trabalho duro, e discutimos a liberação da estação de trem e da própria Maria Fumaça para as gravações do nosso curta. Positivo, apesar de pequenos poréns. Estamos se preparando para levantar da mesa, e eu, sem qualquer motivo aparente, penso em como é estranho fazer uma idéia virar realidade. O papagaio da família me observa, com expressão grave.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;CENA 05:&lt;/strong&gt; 07/02. Por volta das onze da manhã. Pedreira pertencente à subprefeitura de Tuiuti (escreve assim mesmo?). Belíssimo lugar, com uma visão legal da serra e vários lugares legais para gravar. Subimos até o topo da pedreira, para ver tudo de cima, e eu acabo enterrando o pé na lama durante a descida, inutilizando um par de meias no processo. Estou animado, empolgado, e penso em alguns amigos meus que não poderão participar do projeto e que adorariam estar ali naquele momento. Depois, me embrenho numa pequena trilha, para ver se existe algo interessante no fim da mesma. Encontro a sucata de um carro branco, abandonado ali sabe Deus a quanto tempo, e várias borboletas amarelas estão pousadas dentro dele. Uma delas sai voando. Eu fico olhando aquilo um tempo e depois vou embora, deixando as coisas do jeito que eu acho que devem ser e pensando que, da próxima vez, não esqueço o boné em casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;CENA 06:&lt;/strong&gt; 07/02. Meio da tarde. Vinícola Valduga, lá no Vale dos Vinhedos. Fazendo a visitação – comendo uva da parreira, degustando vinho, subindo e descendo escadas, essas coisas. Depois, as gurias me diriam que o guia parecia o Johnny Depp; não concordo, mas enfim, mulheres não fazem o menor sentido mesmo. Descemos até a adega, onde os vinhos de boa safra ficam estocados, e percebo algumas paredes muradas que, pela distribuição, parecem formar pequenos cubículos para os quais não há acesso. Lembro do “Barril de Amontillado” do Poe e preciso respirar fundo para evitar uma gargalhada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;CENA 07:&lt;/strong&gt; 07/02. Final da tarde. O gato da família, até então nem um pouco simpático à minha presença, resolve repentinamente deitar no meu colo. Surpreso, não tenho nenhuma reação a não ser ficar acariciando, submisso, a região entre a orelha esquerda e a nuca do bicho. Fica claro, naquele momento, o porquê de eu preferir os cachorros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;CENA 08:&lt;/strong&gt; 07/02. Perto das nove e meia do noite. Eu e a Luci, sentados no chão da sacada da casa dos pais dela, conversando sobre Bon Jovi. A vista é espetacular. A conversa é simples, inconseqüente e agradável. Possivelmente o momento mais agradável da viagem: por mim, eu não sairia dali nunca mais. Poucos segundos depois, os pais da Luci chegam e ela vai abrir a porta da garagem. A impressão que eu tenho é de ouvir um “crack”, como se um galho seco se quebrasse no ar. Não consigo evitar um suspiro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;CENA 09:&lt;/strong&gt; 08/02. Passeio de Maria Fumaça, cortesia do dono da empresa. Viagem divertidíssima. Alguns pontos de habitação precária no meio do caminho do trem servem como contraponto ao clima saudoso-nostálgico da viagem. Em uma das casinhas para lá de humildes, um garotinho sem camisa acena sorridente para o trem, com a expressão tranqüila e serena de quem está pouco se lixando se será visto ou não. Eu aceno de volta, sorrindo muito mais por dentro do que por fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;CENA 10:&lt;/strong&gt; 08/02. Noite. Carol cochilando no assento da janela do ônibus. Eu, como de hábito, não consigo dormir nessas situações. No fone de ouvido, Praying Mantis; no céu, uma lua quase cheia semi-encoberta pela névoa. Nas placas, os sinais de que estamos entrando em Porto Alegre. De volta ao lar. A sensação é boa e ruim ao mesmo tempo. Penso na minha cama, na pilha de emails que me aguarda, no meu cachorro. O sentimento melhora, e consigo sorrir. Pois é. De volta ao lar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13908098-113972173221796510?l=eraumavezemportoalegre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eraumavezemportoalegre.blogspot.com/feeds/113972173221796510/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13908098&amp;postID=113972173221796510&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13908098/posts/default/113972173221796510'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13908098/posts/default/113972173221796510'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eraumavezemportoalegre.blogspot.com/2006/02/bento-gonalves-0602-0802-em-10-cenas.html' title=''/><author><name>Igor Eastwood</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17275060186973614016</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='26' src='http://www.screensavershot.com/persons2/clint.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13908098.post-113864521533678878</id><published>2006-01-30T10:10:00.000-08:00</published><updated>2006-01-30T13:42:56.840-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;DA SÉRIE "O BLOG É MEU, EU POSTO O QUE EU QUISER"&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Pois então. Remexendo nos meus arquivos, encontrei essa pequena pérola produzida na primeira metade de 2003, para a cadeira de Comunicação em Língua Portuguesa II. Trata-se, na verdade, de um conto a quatro mãos, dividido com o inigualável Prof. Paulo Seben. Explico: uma das tarefas propostas pelo digníssimo mestre foi a produção de um texto ficcional, a partir do começo fornecido por outra pessoa - tipo, o aluno x iniciava uma história, e o aluno y concluía a mesma. Como faltou um aluno, o Prof. resolveu ele mesmo entrar na jogada - e eu, afortunadamente, recebi por sorteio a tarefa de completar o texto do Seben. Trata-se de um pequeno épico político - e, ao relê-lo, me surpreendi de ver como, mesmo depois de quase 3 anos, ele encaixa muito bem no panorama atual de nossa nação. Além do que, nesses dias de expectativa para saber se conseguirei cursar Seminário de Literatura ou não, reviver minha breve parceria com o Prof. parece bastante adequado. Por isso, ei-lo, para o deleite de meus poucos e não-tão fiéis leitores. A parte em itálico é de Mr. Seben, e a seqüência é obra do justiceiro aqui. Feito? Então tá:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;ATEÍSMO&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- Se me chamam de trotskista&lt;br /&gt;puxo de banda o facão&lt;br /&gt;que mentiroso eu degolo;&lt;br /&gt;trosko vai pro paredão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pro paredão não vai trosko,&lt;br /&gt;seu esbirro estalinista;&lt;br /&gt;vai burguês, padre e burókrat&lt;br /&gt;e se bobear, reformista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Reformista é a tua tendência,&lt;br /&gt;contrária à natureza;&lt;br /&gt;aranha briga ‘co aranha&lt;br /&gt;e o resto é chuchu- beleza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Além de chuichu-beleza,&lt;br /&gt;nós somos revolucionários!&lt;br /&gt;Militante não tem sexo;&lt;br /&gt;tu que é reacionário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dois barbudinhos estavam há um bom tempo no duelo de trovas. Limberto já se considerava um veterano do movimento estudantil; dois meses depois do trote dos bixos, participara da primeira panfletagem do PC do B; uma semana depois, pichara muros em apoio à chapa de situação do Sindicato dos Trabalhadores Eventuais; assíduo ás reuniões de sua célula, jamais deixara de realizar uma leitura, e seus textos espelhavam rigorosamente a doutrina aprendida.&lt;br /&gt;O trotskista era chamado de Paulista por motivos óbvios. Conhecera Limberto no trote, e o gosto comum por Steinheger os tinha tornado amigos. A política, no entanto, os dividira. Paulista, músico underground em sua cidade natal, Campinas, não simpatizara com o que considerara autoritarismo da militância pecedobista, além de já ser filiado ao PT em São Paulo.&lt;br /&gt;Era a vez de Limberto prosseguir a disputa, mas seu olhar pastoso encontrou o umbigo piercingzado da moreninha que entrava no ambiente esfumaçado do Dacom.&lt;/em&gt; Embora a seiva grossa do comunismo corresse abundante em suas veias, a verdade é que ele não era de todo insensível aos reclamos da carne; e, posto isso, julgou de bom tom dar cabo da contenda, de modo que pudesse envolver-se o mais rápido possível em um outro tipo de disputa. Entoou, de modo taxativo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Reacionário não dá; eu desisto!&lt;br /&gt;Descemos já fundo demais;&lt;br /&gt;Proponho que se instaure a utopia&lt;br /&gt;e que assinemos o tratado de paz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E Paulista, que tampouco ignorava os encantos de um piercing bem colocado, entendeu a deixa e emendou, impávido:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A paz é bom fruto da luta;&lt;br /&gt;está aceita a proposição.&lt;br /&gt;Agradeço à atenta platéia&lt;br /&gt;e viva a revolução!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava, pois, encerrado o duelo; empate, aceito sem ressalvas por ambos os adversários. Um dos poucos circunstantes até fez menção de bater palmas, mas percebeu o despropósito e deteve-se a tempo.&lt;br /&gt;A essa altura, a doce morena acabara de contornar a mesa de sinuca, vazia àquela hora da tarde, e dirigia-se sem hesitação para a porta do D.A., provavelmente em busca de quem pudesse ajudá-la a confeccionar a carteirinha escolar ou algo do tipo. O fato de ter tentado insistentemente abrir a porta trancada da saleta, ignorando o fato óbvio de que ninguém estaria por lá antes do início da noite, evidenciava: era bixo, recém-chegada e necessitando da ajuda de figuras mais experientes para entender as incoerentes regras da Fabico. Pobre ovelhinha, cercada por lobos maus; os comedores de criancinhas logo iriam atacar.&lt;br /&gt;Limberto ergueu-se da poltrona cheia de pulgas, dirigindo-se primeiramente ao barbudo parado ao lado da geladeira vermelha desativada, e pronunciou entre dentes as seguintes palavras:&lt;br /&gt;- Companheiro, peço-te uma trégua momentânea... Deixa eu tomar a dianteira, e hei de ser generoso da próxima vez que sentarmos juntos no Bar da Tia Vilma.&lt;br /&gt;Paulista não pôde evitar um risinho de mofa: ouvir “companheiro” dos lábios de Limberto, e em tal conjuntura, era sem dúvida engraçado. Mas os trotskistas podem ser magnânimos; e, tão logo parou de rir, retorquiu:&lt;br /&gt;- Muito bem,Limberto, assim seja. Mas saiba que meia dúzia de cervejas não hão de me comprar! Pode ir à carga, mas vou estar na volta; e tão logo fique claro que a mocinha não se agradou de ti, abrirás caminho e ficarás quietinho no teu canto. Estamos combinados?&lt;br /&gt;- De acordo, camarada. Talvez a ti eu salvasse do paredão – e virando as costas para Paulista, dirigiu-se até a bela criaturinha, que entre risinhos e charmes revelou chamar-se Rafaela. Paulista, como anunciado, ficou por volta, tirando melodias dissonantes do violão de cinco cordas, e de quando em quando lançando alguma frase espirituosa de modo a se manter mais ou menos parte da conversa.Do manjado papo estilo “veterano-explica-as-regras-para-bixo-perdida”, o diálogo evoluiu para questões mais pessoais, resvalando na música e por fim fincando os pés no fascinante e perigoso mundo da política. Foi quando Limberto sentiu-se enfim em casa e, ainda que cauteloso à princípio, começou a mover-se mais decidido no sentido de impressionar a encantadora morena que tão cheia de interesse ouvira suas considerações até então.&lt;br /&gt;- Eu acho que está na hora dos estudantes universitários levantarem novas bandeiras...&lt;br /&gt;- Pois é, né, sacudir essa acomodação...&lt;br /&gt;- Se a gente não se mexer, quem vai fazer isso por nós?...&lt;br /&gt;A coisa ia muito bem até Lula entrar na conversa. À primeira menção do nome de nosso presidente, Paulista já preparou-se para levantar e sair do Dacom. Afinal, havia prometido trégua ao estalinista sem-vergonha, e não desonraria seus princípios faltando com a palavra. Desonestidade, no fim das contas, era especialidade de outras correntes. Seja como for, ainda estava sentadinho com o violão no colo quando Limberto proferiu, resoluto:&lt;br /&gt;- Pois eu acho que o Lula está enganando os seus eleitores! Já está mais do que na hora de tomar uma atitude, mexer no que está podre, radicalizar!...&lt;br /&gt;- É isso mesmo! – disse Rafaela, empolgada. – O presidente está muito certinho, tem que ir mais fundo nos problemas do país!...&lt;br /&gt;E, após uma pausa que só realçou o charme daquela mocinha, completou:&lt;br /&gt;- Afinal, não adianta negar, quem dá as cartas mesmo é o FMI! A globalização está aí, se não houver livre fluxo de capitais e a gente não se adequar aos interesses das grandes potências, o que será de nós? Se o Lula mudou mesmo, está na hora de provar!...&lt;br /&gt;Um silêncio pesado, opressor, volumoso como o ar parado do verão portoalegrense caiu sobre o Dacom, parecendo até tomar conta de toda a Fabico e ir se alastrando pelas demais unidades do Campus Saúde. O rádio engasgou, a sinuca parou, até a fumaça dos cigarros cessou suas evoluções e pairou imóvel no ar. Paulista estava entre abismado e comicamente admirado; quem diria, uma liberal, em plena Universidade pública, sendo trovada por um autoritário filho de um Gulag... Pois é, o mundo era mesmo imprevisível...&lt;br /&gt;Quanto a Limberto, era a própria imagem do estupor; nem mesmo a ressurreição de Cristo provocaria nele tamanho choque. Com os olhos arregalados, fitava atônito o rosto harmonioso da linda morena, que parecia ignorar a terrível gravidade do que acabara de dizer e sustentava um semi-sorriso simpático nos lábios enquanto aguardava uma resposta. As mãos de LImberto tremiam; uma solitária gota de suor escorreu como um raio por sua testa. Naquele momento, Paulista começou a sentir o perigo no ar, e até mesmo temeu que seu camarada estalinista cumprisse a velha ameaça e, puxando de banda o facão, degolasse aquela doce e bela marionete do imperialismo neomercantilista. Seria mesmo uma tragédia sujar o Dacom com aquele sangue ruim.&lt;br /&gt;Mas, sejamos justos, ninguém presente àquele cenário poderia prever o que ocorreu a seguir. Pois, depois de um silêncio que durou vinte semanas e meia, Limberto falou; e que Karl Marx o perdoe, pois suas palavras, emolduradas por um sorriso conformista típico de quem fez sua escolha, foram:&lt;br /&gt;- É verdade! Que se dane o socialismo de meia tigela, queremos resultados! Está na hora de fazer a reforma acontecer, entrar no jogo e salvar o país!...&lt;br /&gt;Os presentes só se deram conta que Paulista tinha entrado em estado de choque quando o violão caiu, rachando perto do braço e estourando mais uma corda. Somente dois copos de café foram capazes de trazer o cidadão de volta a si; mas ele nunca mais seria o mesmo. Claro que, naquele momento, Paulista não tinha como saber que, sete anos depois, Limberto e a moreninha se uniriam pelos sagrados laços do matrimônio católico opressor, e que eventualmente o outrora estalinista tornaria-se militante ativo do PL; de fato, ele não poderia ter ciência de tais fatos. O que houve é que, naquele momento, Paulista soube que o socialismo estava morto, que o capitalismo era mais forte e que o mundo seguiria de modo inexorável rumo ao colapso total. Era a vitória final do pragmatismo, do capital especulativo, do livre mercado e da infidelidade aos ideais. A verdade era uma só: com aquelas poucas palavras, Limberto acabara de criar um ateu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Igor N. Vieira e Paulo Seben - 2003&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13908098-113864521533678878?l=eraumavezemportoalegre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eraumavezemportoalegre.blogspot.com/feeds/113864521533678878/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13908098&amp;postID=113864521533678878&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13908098/posts/default/113864521533678878'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13908098/posts/default/113864521533678878'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eraumavezemportoalegre.blogspot.com/2006/01/da-srie-o-blog-meu-eu-posto-o-que-eu.html' title=''/><author><name>Igor Eastwood</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17275060186973614016</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='26' src='http://www.screensavershot.com/persons2/clint.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13908098.post-113687361651498118</id><published>2006-01-09T22:05:00.000-08:00</published><updated>2006-01-09T22:13:36.530-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;SOBRE O ESPAÇO DE LAZER DO DACOM&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algo precisa ser feito. Urgentemente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caso vocês não saibam, a Fabico está em obras. Sim, o imponderável se manifesta e o que todos julgariam impossível está acontecendo: a Fabico (sim, a Fabico) está em obras. Na verdade, o trabalho pesado mesmo ainda não começou - estão no estágio de tirarem a gráfica do segundo andar, o que por si só já é um acontecimento quase que inconcebível. Passei lá na última quinta feira para ver uns esquemas relativos ao estúdio de TV, e deparei-me com um caminhão guindaste, retirando pela janela aberta do segundo andar uma enorme máquina que minha imaginação mal consegue conceber para o que serviria. No saguão, um monte de gente correndo de lá para cá, carregando equipamentos, fardos de papel e por aí vai. E nem o elevador pude usar para subir, posto que o mesmo estava mobilizado para a mudança. Incrível. Em fevereiro, o estúdio deve descer até o térreo, onde ficará temporariamente (?) até a reforma da sala oficial acabar (?). Ou seja, muitas coisas acontecendo, em ritmo não menos do que alucinante. Eu fiquei pasmo, de verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas é claro que não é isso que me leva a conclamar os 3 ou 4 leitores desse blog à ação. O que de fato me aflige é o destino das paredes do Dacom. Aos que desconhecem o fato, informo que todo o térreo da Fabico deverá receber uma mão de tinta durante as férias, e é muitíssimo provável que a sala de recreação do Dacom não se escape da pintura. Ou seja, lembra aquele monte de pichações sem sentido, os desenhos tão caprichados, as piadas e enigmas e sofismas que cobrem as paredes do dacom? Pois é, tudo isso vai sumir. Alguns consideram isso um tremendo absurdo, outros acham que tava na hora mesmo, outros procuram ser positivos e encarar tudo como o começo de uma nova etapa. Na verdade, isso pouco importa: de qualquer maneira, é o fim de uma era, com tudo o que isso implica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois é, gurizada, e a gente vai fazer o que a respeito, hein? Vejam bem, não que eu ache viável uma atitude de insurreição do tipo "vamos nos dar as mãos", a galera acampando na frente do Dacom para os pintores não entrarem e tal. Isso, além de ridículo, estaria fora do contexto. Eu queria, isso sim, que a galera se mexesse no sentido de preservar essa história, essa coisa toda na qual a gente talvez tenha colaborado pouco mas que é parte da nossa história também. Sinceramente, me entristece ver o que, bem ou mal, é um dos símbolos da convivência fabicana sumindo desse jeito, no entre-semestres, com a maioria dos fabicanos póuco se lixando para o fato. Que tal umas fotos do lugar, antes que tudo vire paredes brancas ou coisa pior? Isso seria fantástico. Qualquer coisa, que ajudasse a manter viva de alguma maneira a memória do que foi aquele lugar, antes que a nova etapa comece substituindo-o por sabe lá Deus o quê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na quinta, quando eu desci do estúdio para ir embora, dei uma passadinha no dacom e fiquei olhando para as paredes. Não fiquei triste, não, acreditem-me: se eu tivesse que votar, era pela pintura mesmo. Mas deu um quê de melancolia, e decidi fazer uma coisa que há tempos eu me propunha e nunca rolava: peguei meu bloco, uma caneta e transcrevi as frases do Cantinho da Rosa Nívea. Sim, meus amigos – agora podem cobrir o cantinho com tanta tinta quanto acharem necessário, porque a memória existe, e logo as frases voltarão para lá, para o lugar que delas é de direito! É um troço que eu vi nascer (hahahahaha, tô ficando velho mesmo), e que eu acho legal que se perserve. E o resumo da ópera é esse, gurizada: sem choro que a vida se vive para a frente, mas olhar para trás é legal para saber de onde se veio e ficar mais claro para onde se vai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para fechar, algumas das frases antológicas da grande Rosa Nívea, tiradas do nosso querido Cantinho. O resto vocês lêem quando março chegar. Hasta!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"A imprensa surgiu com o descobrimento do mimeógrafo".&lt;br /&gt;"A diferença entre o jornalismo e a medicina é muito grande... Para usar um bisturi a laser, tem que saber usar um bisturi a laser".&lt;br /&gt;"Não dá para deixar o filé mignon para a pós e os rastafári para a graduação".&lt;br /&gt;"O jornalista tem que pesquisar, checar e rechecar informações importantes, como por exemplo 'a capital da escócia é tal'".&lt;br /&gt;"São Gabriel? Ah, não fica nas missões?"&lt;br /&gt;"O jornalismo é um dinossauro: porque ele não está estático, ele está se movendo".&lt;br /&gt;"Porque daqui a pouco a gente não sabe mais se é milho com cabeça de feijão, se é só feijão, se é só milho... Ou pode ser um arroz, ou até mesmo uma abóbora. Tudo transgênico".&lt;br /&gt;"O ecstasy... Ah, o ecstasy. O ecstasy acabou com a seresta. É o fim do trovadorismo".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13908098-113687361651498118?l=eraumavezemportoalegre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eraumavezemportoalegre.blogspot.com/feeds/113687361651498118/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13908098&amp;postID=113687361651498118&amp;isPopup=true' title='7 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13908098/posts/default/113687361651498118'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13908098/posts/default/113687361651498118'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eraumavezemportoalegre.blogspot.com/2006/01/sobre-o-espao-de-lazer-do-dacom-algo.html' title=''/><author><name>Igor Eastwood</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17275060186973614016</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='26' src='http://www.screensavershot.com/persons2/clint.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13908098.post-113583226218602412</id><published>2005-12-28T20:56:00.000-08:00</published><updated>2005-12-28T20:58:25.556-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;RESSURREIÇÃO (e ainda falta muito para a Páscoa)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, deixando umas coisas claras para começo de conversa:&lt;br /&gt;1) Sim, eu sei que a saga de Gramado parou no meio. Uma pena, mesmo. Ponham a culpa no semestre desgraçado cheio de trabalhos puxados e cadeiras chatas que eu tive, na minha falta de tempo, no clima, nas marés, ou até em mim mesmo se preferirem. Ela possivelmente será concluída, na medida do possível, ou talvez não. Pelo menos o relato do último (e absurdamente surreal) dia eu garanto, para alegria dos que o viveram e foram basicamente os que se deleitaram com a saga até o momento. Sai em breve, então sugiro aos interessados que fiquem ligados.&lt;br /&gt;2) Os princípios que nortearam a criação desse blog seguem intactos. Vou escrever sempre que achar conveniente, o que me der na telha, e se isso demorar é uma pena. Textos longos, que sou um justiceiro, e isso aqui é quase um anti-blog. E arílson.&lt;br /&gt;3) Acreditem ou não, já estava sentindo falta disso aqui =)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certo, então? Assim sendo, deixo uma historinha para ilustrar essa ressurreição... Tem até um quê religioso nela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim. Cerca de uma da tarde, eu morrendo de fome e de dor de cabeça, vou me dirigindo para a Azenha para pegar um busão e retornar ao aconchego do lar depois de mais uma jornada cansativa de Fabico. Estou naquela faixa de pedestres da Santana, olho para os lados e vejo que nenhum carro se aproxima perigosamente de nenhum dos lados da via pública. Tem uma Kombi branca vindo, lá longe onde a vista alcança, mas nem que eu parasse na faixa de pedestres para fazer um lanche e assistir o Jornal Hoje dava tempo para o tal veículo me alcançar. Tá, vou lá então. Estou ali, absorto no atravessar a faixa, quando uma buzina incessante e antipática toma conta do ar. Olho para o lado e é a tal Kombi, um pouquinho mais perto, desesperada para que eu saia da sua frente, buzinando como se os cerca de oitenta metros que nos separavam fossem nada e o choque fosse iminente. Que merda, pensei, esses neuróticos do trânsito são foda. Dou uma aceleradinha no passo, chego no outro lado e já vou molhando a garganta e fazendo aquecimento no dedo médio para o xingamento. Ah, palhaço, vai buzinar desse jeito para o teu pai! Quando enfim focalizo a Kombi e vejo a pessoa que está no volante, sou completamente desarmado, e acabo apenas contemplando a cena absurda com o ar de quem acabou de ver um cachorro dançar tango.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma freira. Sim, amigos (as). UMA FREIRA. Uma freira, de hábito e tudo, no volante daquela Kombi branca, buzinando e correndo no trânsito como se estivesse fugindo do Juízo Final. E ela estava braba, acreditem – se eu tivesse feito menção de protestar, era bem capaz dela girar o volante e tocar a caranga para cima de mim. Foi ao ver aquela mulher consagrada a Deus em tal estado de stress que eu percebi que nosso trânsito é nefasto mesmo, e leva mesmo pessoas acostumadas à penitência e à tolerância a terem arrepios de puro desespero. Depois que o veículo abençoado (?) sumiu rua acima, só me restou fazer um sinal da cruz (ironia é meu nome do meio, mesmo nas situações mais surreais) e voltar para casa dando risada, sem fome, sem dor de cabeça, sem nada. Afinal, não é todo dia que se é quase atropelado por uma Kombi pilotada por uma freira, não é verdade?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13908098-113583226218602412?l=eraumavezemportoalegre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eraumavezemportoalegre.blogspot.com/feeds/113583226218602412/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13908098&amp;postID=113583226218602412&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13908098/posts/default/113583226218602412'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13908098/posts/default/113583226218602412'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eraumavezemportoalegre.blogspot.com/2005/12/ressurreio-e-ainda-falta-muito-para.html' title=''/><author><name>Igor Eastwood</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17275060186973614016</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='26' src='http://www.screensavershot.com/persons2/clint.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13908098.post-112799629955617614</id><published>2005-09-29T05:12:00.000-07:00</published><updated>2005-09-29T05:19:50.436-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;ERA UMA VEZ EM GRAMADO (parte III de VI)&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Então. Ciente de que essa saga gramadense está andando um pouco devagar, comprometo-me a tentar dar uma agilizadinha de leve no negócio. A partir de agora, todos meus esforços serão empenhados no sentido de contar essa história o mais rápido possível - mesmo porque a memória começa a falhar, e periga eu deixar coisas interessantes de fora simplesmente por ter esquecido delas, Isso já pode ter acontecido, ou estar acontecendo, na moral. Ai meu Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, que seja. Humanos são falíveis. Para o momento, lá vai...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PARTE III: AOS PÉS DE LETÍCIA SPILLER&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois então, quarta feira. Quarta feira foi um dia sinistro. Eu vou contar para vocês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse dia, a gente ganhou a barbada de levantar um pouco mais tarde – afinal, tínhamos nos estourado bonito na noite anterior e não tinha nada extremamente importante para ser coberto cedo de manhã. Tinha a coletiva com o pessoal dos filmes da noite anterior, claro, mas isso era a partir das 11 horas e, portanto, dava para puxar um ronco. Ou seja, levantamos inacreditavelmente tarde, dormimos para cacete mesmo – até umas oito e meia, mais ou menos. Na manhã desse dia, veio o primeiro de muitos dramas que me acorreriam no decorrer daquele 17 de agosto: descobri que tinham dado sumiço na minha escova de dentes. Aparentemente, as arrumadoras do quarto tinham achado minha escova muito exótica e divertida, posto que simplesmente desapareceram com ela – isso, ou a escovinha criou asas e voou... Enfim, fui forçado a fazer uma higiene bucal bem de qualquer jeito naquela manha, e aproveitar a primeira pausa no serviço para comprar uma escova de dentes nova – que, diga-se, também sumiu, em algum momento da preparação das malas para voltar. Mas isso é sábado, e sábado renderá um capítulo todo especial. Uma coisa de cada vez. E foi nesse café da manhã que eu e o Zeh criamos o argumento para o futuro ganhador do Gramado Cine Vídeo, categoria experimental – ou, ao menos, para um curta bem engraçado. O Pinky estava presente, e acabou contribuindo com suas idéias também. Não entrarei em detalhes (mesmo porque grande parte deles nem existe), mas a idéia gira em torno de um cara que metaboliza calorias muito, muito rápido. Só sei que o pessoal que estava tomando café deve ter estranhado aqueles três malucos dando gargalhadas incontidas enquanto olhavam para o bufê...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, depois foi o segundo ato: a espera infindável por um carro que nos levasse até o centro de eventos da UFRGS. Perdoem-me a expressão mas, puta que o pariu, como demoravam aqueles carros de merda! Depois de alguns milênios parados na frente do Estrelas da Serra, eis que finalmente aparece um veículo com capacidade suficiente para conduzir-nos até nosso local de trabalho. Desnecessário dizer que, àquela altura, já estávamos atrasadinhos da silva, a reunião de pauta já tinha ido para o espaço e nós íamos ter que matar tudo no osso do peito, como sempre. Pois é, né, serviço eficiente é outra coisa. Digamos que, rapaz sensível que sou, eu já sentia as emanações melífluas no ar, e o mau agouro das pequenas tragédias da manhã não passou despercebido a este humilde escriba, que já foi preparando o espírito para os dissabores que estavam por vir. E fiz bem, amigos (as). Fiz muito bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegando ao centro de eventos, fomos cuidar da nossa vida e resolvemos, eu e o Pinky, dar início aos trabalhos de nosso documentário. Calma, eu explico. O projeto de extensão que nos levou a Gramado – pagando hotel, almoço, bolsa auxílio e tudo mais – prevê a produção de um número considerável de programas, sendo cinco deles para veiculação na TV (no nosso caso, cinco edições do Caderno 2) e dois documentários, um sobre o festival de Gramado e outro sobre o Cine Vídeo. Eu e o Pinky fomos encarregados do documentário sobre o Gramado Cine Vídeo, e desde o início nos propusemos a tentar fazer algo diferente do que se faz usualmente nesse tipo de situação. Uma das nossas idéias foi pegar alguém para ser nosso personagem principal – trocando em miúdos, uma figura que estivesse envolvida com o Gramado Cine Vídeo, que circulasse por ele e nos servisse como fio condutor enquanto falássemos sobre o evento em si. Ótimo, mas quem? Demorou um pouco, mas acabamos achando a solução debaixo de nossos narizes: o Zeh. Sim, pois em sendo diretor de Além do Leite (concorrendo ao Galgo de Ouro na categoria Vídeo Experimental) e circulando diariamente pelas feiras, ele era a figura perfeita para nossos desígnios – além de ser membro da equipe e estar sempre por perto, o que facilitava horrores. Bastava segui-lo sempre que desse, e registrar alguns momentos específicos (como a exibição do vídeo dele e a premiação do Cine Vídeo) para termos um documentário fora de série. Assim sendo, passamos o que nos restava da manhã de quarta registrando nosso chapa Zeh em suas atividades profissionais, o que foi deveras divertido e vai render bom material para nosso documentariozinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa brincadeira, registramos igualmente várias imagens do stand da UFRGS – evidentemente, com propósitos denuncistas nem um pouco dissimulados. Esmerei-me em pegar imagens que realçassem o ar de abandono do que deveria ser o lugar máximo da UFRGS na feira, e creio que o Pinky tenha tido o mesmo cuidado. Seja como for, nosso esforços chamaram a atenção de um pessoal do Jornal da Globo, que viram aqueles dois com uma câmera digital e acharam que rendia matéria. Vieram falar conosco a Mônica, repórter, e seu câmera, perguntando se eu e o Pinky tínhamos trabalhado com vídeo independente e se tínhamos interesse em dar umas declarações a respeito. Evidentemente queríamos – quem, em nosso estágio de humildes desconhecidos na área cinematográfica, não vai querer um pouco de divulgação gratuita na maior rede de TV do Brasil? Mas, infelizmente, não rolou – marcamos para meio dia e meia, mas eles se atrasaram e nós tínhamos que trabalhar à tarde, de modo que não pudemos esperar muito tempo. Tristíssimo, eu diria. Bom, que tal um café de grátis para amortecer os sentidos e aliviar a tensão? Que nada. Por algum motivo, tive uma repulsa violenta ao sagrado líquido e não tomei nenhum copinho que fosse o dia inteiro. Sério: máquinas distribuindo capuccinos e expressos de graça (uma coisa que, sabemos, é mais comum que andorinhas africanas carregando cocos amarrados em um barbante) e uma indisposição qualquer me impediu completamente de consumi-los. Passei o dia tomando água – e quase sempre pagando por ela. Sim, podem me chamar de frouxo que eu deixo, mas o fato é que nem um café para me dar pique nesse dia soturno eu tinha condições de engolir. Terrível. Daqueles dias que é melhor nem sair do hotel... Mas, calma. Ia piorar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de um almoço meio na pressa, convocado fui ao Palácio dos Festivais, cobrir junto com a Ana o segundo dia da mostra latina. O dia anterior tinha sido legal, mas eu queria um pouco mais de ação naquela tarde, de modo que não fiquei exatamente radiante com a tarefa. Mas, vá lá, fui consolado com a idéia de que naquela noite a entrada do palácio era comigo – e isso prometia ser divertido, então que fosse. Lá fomos nós, debaixo de um calor do cão e de um céu que nublava ameaçadoramente, fazer nosso trabalho de todo dia. Nessa tarde, assisti o muito legal “Punto Y Raya”, filme venezuelano com ótimas atuações, bom roteiro e fotografia bem legal – realçando tudo com um tom meio verde-marrom muito curioso, que deixou tudo com um ar exótico mas sem dúvida interessante. A Ana, coitada, estava exaurida, cansada mesmo – deve até ter tirado uma ou duas pestanas no decorrer do filme – de modo que ela pôde aproveitar o tempo livre no escurinho do cinema para descansar. Chegamos a ver o inicinho do outro filme, “Kiss Me” – agraciado com um interminável e confuso discurso de seu diretor António da Cunha Teles – mas fomos embora pouco depois, pois nosso trampo seria do lado de fora e seria legal dar um tempo para voltar ao centro de eventos pegar uma boca livre. E foi o que fizemos – e devo dizer que os pãezinhos com sei-lá-o-quê que consumi naquele fim de tarde foram de grande valia para manter o guerreiro em pé, embora as Bohemias tenham tentado conspirar contra... E, me atravessando um pouco na história para não perder o ponto: gratidão eterna às moças que ficavam na entrada do palácio, na escada que conduzia à sala de projeção, e distribuíam bombons aos que por lá se aventuravam. Muitos momentos de fome atroz foram evitados graças àquelas deliciosas bolinhas de chocolate – começava a bater a necessidade de calorias, era fazer uma pausa e, como quem não quer nada, dar uma passadinha pela escada. As moças, óbvio, sabiam que já tínhamos passado lá, mas ou eram muito queridas ou não se importavam, porque continuavam a distribuir mui simpáticas e sorridentes os docinhos. Muito obrigado mesmo, garotas, vocês foram de grande valia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas enfim. Lembram do que eu ando falando desde o início, sobre estar com um mau pressentimento? Pois é: saímos e constatamos que havia chovido, e bastante. E estava esfriando. Fomos até o centro de eventos, voltamos para o palácio depois de uma boca livre e de algumas discussões sadias e nos dividimos: Débora e Zeh dentro do palácio, cobrindo os filmes, e o resto lado de fora, com este que humildemente conta a história cuidando da câmera. E veio a noite – que, a julgar pela adrenalina do dia anterior, prometia emoções mil. Sim, claro. Foi um tédio mortal, isso sim – sério, foi disparado uma das coisas mais chatas que fiz naquele festival, se não a grandessíssima campeã. Não acontecia quase nada – e, quando a chuva voltou, forte e ameaçadora, aí sim que o que era pouco virou coisa alguma mesmo. Nem pessoas coladas na grade para encher o saco tinha, pelo amor de Deus. Acho que foi a Anne quem entrou para ver os filmes, e daí ficamos eu, a Ana, a Carol e o Pinky, olhando uns para os outros com cara de bunda enquanto as horas passavam. Um verdadeiro desfile de não-entidades (entre outros, o Jacaré da Turma do Didi e o anão aquele do comercial de cerveja, que por sinal é gramadense) passou diante de nós e foi solenemente ignorado – afinal, fomos lá para cobrir o festival, não fazer serviço da Contigo ou do Fuxico. Fiz várias imagens da chuva caindo, gravamos as intervenções da Ana no Caderno 2 sobre esse dia, uma que outra figura digna de registro, e só. Oh céus, oh vida. E mal sabia eu que o auge da noite estava por vir – e que, além disso, eu seria um dos protagonistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi assim. Aparece de repente a Letícia Spiller no tapete vermelho, acompanhada de uma figura que deve ser seu namorado ou equivalente. Ela surgiu e, devo ser honesto, o tempo meio que parou. Embora, como todo ser humano do sexo masculino (e, imagino eu, os de sexo feminino também), leve em grande consideração a beleza no sexo oposto, devo dizer que costumo manter razoável autocontrole diante de belos exemplares femininos – em resumo, não costumo ficar babando em cima de mulher, se é que me entendem. Mas a Letícia Spiller é fenomenal. A desgraçada é linda, muito linda – e a beleza dela me atingiu de uma maneira que eu acabei levando alguns segundos para me tocar de que, afinal de contas, ela era uma figura importante e eu precisava fazer imagens dela. Fiquei alguns instantes só olhando, mas enfim meu lado cínico resolveu agir e me conclamou à ação – e lá fui eu, já em certa desvantagem com relação a muitos colegas de imprensa, fazer imagens daquela quase impossibilidade de mulher. Letícia tinha ido até o pouco (mas corajoso) público que resistira à chuva para ver os artistas, e acenava mandando beijos e sorrisos hipnóticos para todos os lados. Atrás de mim, o mui leal e valoroso Pinky, que com seu raciocínio rápido tinha percebido que estávamos em um desnível entre o chão e o tapete vermelho – e que, andando de costas como eu estava, as chances de eu ser derrubado naquela pequena armadilha eram boas (ou ruins, dependendo do ponto de vista). Assim sendo, pôs sua mão em meu ombro, e foi meio que guiando meus passos para evitar a tragédia. Quando me aproximei demais do desnível, bloqueou decidido meu avanço, e eu parei em um ponto meio crítico, mal e mal me equilibrando na posição onde estava. O problema foi não termos combinado nada com o outro time: um fotógrafo veio vindo com tudo, de costas, sem medo de ser feliz – e, estando de costas, não viu que eu estava paradinho como um dois de paus no caminho dele. Veio, veio, e se tocou para cima de mim, e por mais gigante irlandês (ou russo) que eu seja, não deu para segurar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, senhoras e senhores. Caí. Despenquei. Fui ao chão. Fiquei estatelado.Embolotei. E isso não foi o pior, pois o fotógrafo esse veio junto, por cima de mim. O resultado dessa brincadeira foi eu esparramado no chão, com um fotógrafo baixinho e grisalho sentado no meu colo, ambos aos pés da Letícia Spiller, que só nos olhava com os olhos arregalados e a mão na boca – um gesto de espanto quase infantil que me poria de joelhos, não estivesse eu já jogado na lona. Meu profissionalismo, no entanto, não foi abalado pela situação absurda, e segui gravando tudo impávido, como se eu não tivesse acabado de levar um tombo na frente de uma atriz global e fazendo de conta que não ouvia as risadas de todo mundo na minha volta – até dos meus companheiros de equipe, que se matavam de rir em uma demonstração de solidariedade absolutamente comovente. Tudo bem que, depois, vários profissionais da imprensa vieram falar comigo, dizer que aquilo era absolutamente comum e me consolarem com histórias de suas próprias quedas e demais fiascos. Foi bem legal receber esse apoio, e busquei encarar tudo com bom humor – mas, como vocês viram, o dia tinha sido bem ruinzinho para comigo, de modo que não pude evitar um certo desânimo depois do acontecido, verdadeira chave de chumbo de um dia assustador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os filmes dessa noite eu não vi, então não me perguntem sobre eles – perguntem para o Zeh e para a Débora, que viram e saíram de lá com cara de veteranos de guerra. Não ficamos muito tempo na rua depois do meu número particular: ninguém mais chegava, e nosso engenhoso Pinky tinha obtido informações de boa fonte dando conta de que não ia aparecer celebridade alguma, então picamos a mula. Comemos um xis saborosíssimo e de de alto nível numa lancheria chamada Esquilo (a calabresa do meu xis era raladinha, puxa vida) e fomos para o hotel, descansar um pouco. Pessoalmente, eu estava felicíssimo que o dia tinha acabado – e, pouco depois que chegamos no hotel, o restante da camarilha apareceu, e trocamos animadamente nossas experiências no front antes de dormimos o sono dos justos. Fiquei ouvindo um som antes de dormir (Thin Lizzy é demais), e mais ou menos consegui me conciliar com aquele dia difícil antes de pegar no sono. Afinal, um dia sempre é diferente do outro, não é não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E foi. Mas isso são outros quinhentos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13908098-112799629955617614?l=eraumavezemportoalegre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eraumavezemportoalegre.blogspot.com/feeds/112799629955617614/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13908098&amp;postID=112799629955617614&amp;isPopup=true' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13908098/posts/default/112799629955617614'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13908098/posts/default/112799629955617614'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eraumavezemportoalegre.blogspot.com/2005/09/era-uma-vez-em-gramado-parte-iii-de-vi.html' title=''/><author><name>Igor Eastwood</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17275060186973614016</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='26' src='http://www.screensavershot.com/persons2/clint.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13908098.post-112656121238604402</id><published>2005-09-12T14:37:00.000-07:00</published><updated>2005-09-12T19:59:06.473-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;ERA UMA VEZ EM GRAMADO (parte II de VI)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ok... Alguns parecem ter gostado, então lá vai:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PARTE II - O PESADELO DOS CASES&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Terça começou bem tranqüila, na verdade – embora um tanto barulhenta, é forçoso dizer. Levantamos cedinho (como se tornaria hábito nos duros dias de labuta gramadense) e logo de manhã se manifestou uma característica de nosso amigo Pinky que, até o momento, me era insuspeitada: a capacidade de dormir além da conta. O que, convenhamos, era até compreensível: ficava acesão até altas horas, com litros e litros de café na moringa, e de manhã cedo não tinha santo que tirasse a criatura da cama. Tanto os despertadores dos celulares do Pinky quanto os do Zeh tocaram incontáveis vezes naquela manhã antes que qualquer um dos dois movesse uma palha para atendê-los. Eu ouvia aquela barulheira do cão e, muitíssimo cansado e sonolento que estava, pensava algo do tipo “ah, esse é o do Zeh. Se ele não se mexe para desligar, eu é que não vou”, virava para o lado e voltava a dormir. Só quando meu próprio celular tocou, lá pelas sete e meia da manhã, que eu me dignei a sair da cama e ir cuidar da minha vida. Acabei sendo o primeiro a tomar banho e me arrumar – eu, que tinha posto o celular para despertar mais tarde, hehehehe. Mas enfim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Descendo, tivemos o prazer de conhecer o café da manha do nosso querido hotel Estrelas da Serra. Farto, bem farto – e com um suco de uva que, meninos e meninas, eu vou te contar. Passei seis manhãs tomando suco de uva de manhã como se fosse água – eu até tentava às vezes variar, pegar um copo de suco de laranja ou mamão, mas era só dar uma brecha que eu trocava de copo e ia impávido atrás daquela delícia cor de vinho. Aiaiai, me dá água na boca só de lembrar. Enfim, comemos que nos fartamos, voltamos para os quartos para os últimos preparativos e atos de higiene e descemos para o hall de entrada para aguardarmos pela condução oficial da imprensa que nos levaria até o centro de eventos. E, olha, aguardamos MESMO, não é força de expressão. Aliás, aproveitando a deixa: a Chevrolet, hein, pisou bonito na bola como transportadora oficial nesse ano. Na saída dos eventos, até que não tava tão ruim – às vezes um que outro motorista fazia um doce para nos levar, mas isso já é de praxe, então tudo bem. Agora, para nos levar até o centro de eventos ou o palácio dos festivais... Que dificuldade. A terça nem foi dos mais xaropes, na verdade – bonito foi a partir do dia seguinte, quando os veículos se mostraram tão “competentes” que acabávamos indo a pé para os lugares, numa atitude de desistência que deveria deixar os responsáveis pelo transporte envergonhados. Até a organização do Gramado Cine Vídeo ficou sem condução, e isso eu vi com meus próprios olhos – o que, convenhamos, é uma situação no mínimo inusitada. Saudades da Fiat, como diria o Zeh.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom. Durante a manhã, ficamos basicamente zanzando pelo centro de eventos da UFRGS, em busca de atores, diretores e demais celebridades que porventura dessem as caras por ali. Vale informar que era naquele local que todos os envolvidos no festival iam fazer seu credenciamento, e o negócio era intransferível – ou seja, não dava para mandar assessor ou amiguinho, tinha que ir em carne e osso até lá para pegar suas credenciais. Nessa brincadeira, pegamos algumas figuras bem interessantes, como a equipe de “Cerro do Jarau”, o Paulo Betti e o Rubens Ewald Filho – figura, diga-se, bem mais simpática e acessível do que eu julgava à princípio. Aliás, o Marcelo Serrado rendeu uma historinha engraçada. Era intervalo do almoço, nossas repórteres sumidas, e eu e a Carol vemos o Serrado ali, solito solito, olhando para uns pôsteres e dando sopa que é uma beleza. Tá, mas quem vai falar com o cara? Sendo eu originalmente (e oficialmente) um jornalista, senti que aquela era para mim – e já me preparava para segurar o rojão quando a Carol, com uma espontaneidade encantadora, disse: “tá, liga o microfone aí que eu falo com ele”. E lá foi nossa intrépida Caroline, sem me dar tempo para contestações, com toda a segurança e tino jornalístico que Deus lhe deu, sabatinar o ator em questão. Não bastasse o papo de “somos da UFRGS e estamos fazendo um documentário sobre o Festival de Gramado etc”, nossa repórter de ocasião (que, para quem não sabe, cursa orgulhosamente Publicidade e Propaganda e, até onde sei, jamais pretendeu seguir carreira jornalística) deixa escapar, após ouvir o comentário do Serrado sobre estar participando do júri do festival, um “ah, é?” tão sincero que foi algo não menos do que antológico. Coitadinha, fez o melhor que pôde. Uma salva de palmas para ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cobrimos igualmente as coletivas com o pessoal que participou da mostra da noite anterior, o que rendeu material interessante e um papo amigo do Pinky com o Vicente Ferraz, diretor do ótimo “Soy Cuba – O Mamute Siberiano”, que deu alguns toques no sentido de conseguir o redescoberto filme russo-cubano em questão. Aproveitamos o dia também para enlouquecer um pouco nosso chapa IVANIR, o segurança encarregado de abrir a sala onde guardávamos o material que usávamos na cobertura. Tava ele lá, trabalhando em alguma coisa, e lá ia um de nós atrás dele para abrir a salinha e nos deixar pegar um badulaque qualquer. Pobre homem, ele sofreu nas nossas mãos. Mas, diga-se, agüentou a xaropada com coragem e bom humor (quase) inabalável, e conquistou a simpatia do pessoal sem maiores esforços. Como se diz por aí, o Ivanir estava em todas. E, obviamente, nos fartamos de café – eu, que era dos mais comedidos, devo ter tomado uns dez só na parte da manhã. Daí para a dependência química vai um pulo, e passei o resto do dia rondando as máquinas de café gratuito como um “junkie” qualquer, aproveitando qualquer oportunidade ou folga no trabalho para mais uma dose. Tremo só de pensar em quantos copinhos de expressos e capuccinos consumi naquele dia – escala industrial, mesmo. E pelo menos o Pinky e a Carol passaram o dia na minha cola, bebendo tanto (se não mais) café quanto eu. Assustador. Menos mal que foi só uma semana, senão levaríamos a Nescafé à falência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De tarde, eu tinha um programa que, à princípio, parecia uma bela bomba: cobrir o primeiro dia da mostra competitiva do cinema latino. Digo isso porque longe está de ser a atividade mais dinâmica do mundo – tu fazes umas imagens bem genéricas, assiste aos filmes e pega uma que outra declaraçãozinha. Cômodo, sem dúvida, mas pouco emocionante – e eu queria ação, adrenalina. Mal sabia do que me esperava à noite, mas enfim... Primeiro uma coisa, depois outra coisa. Fomos lá, eu e a Débora, debaixo de um calor do cão, fazer a cobertura do citado evento. E, amigos, foi divertido. Dois bons filmes – “Buenos Aires 100 Km” e especialmente o ótimo e muito engraçado “Um Dia Sem Mexicanos” –, uma boa companhia (a Débora é ótima pessoa, e conversamos bastante sobre vários assuntos) e a possibilidade de descansar numa poltrona confortável, bem localizada, ar condicionado... Ahhhhhh. As entrevistas foram barbada de fazer também, e muito embora não tenha dado tempo de ir ao hotel, já estávamos no palácio onde iríamos trabalhar à noite, logo me poupei dos dissabores de esperar por deslocamento. Não foi ruim, não foi mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E então, a noite. Em princípio, eu nem precisava estar lá – eu não estava escalado nem para o palácio nem para a calçada, e poderia tanto ficar assistindo os filmes na maior tranqüilidade quanto ir para o hotel puxar um ronco. Mas, somando o espírito de equipe com a vontade de fazer alguma coisa e alguma imprevidência, acabei ficando para dar apoio moral aos que estavam do lado de fora. E, dentre outras coisas, vi nascer uma estrela, se me permitem a boiolagem: Pinky descobriu acidentalmente uma vocação insuspeitada e, de câmera, passou a ser nosso produtor volante nas noites de calçada dos artistas. Graças ao trabalho eficiente dessa criatura movida a café e Bohemia, conseguimos falar com exclusividade (ou quase) com a maioria dos artistas e pseudo-celebridades que passaram por lá – o que nos permitiu até luxos do tipo “ah, a Tizuka a gente já entrevistou três vezes, deixa ela passar”, o que convenhamos não é para qualquer um.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas deixa eu contar a historinha dos cases. Bueno, por questões de momento que eu nem lembro direito quais foram, acabamos levando nosso material até o palácio dos festivais acondicionado em suas bolsas protetoras (ou cases, como gostamos de chamá-las). O problema foi na hora de trabalharmos: onde vamos deixar essas coisas? Não tinha nenhuma salinha onde pudéssemos guardar o material (muito embora o Ivanir estivesse por lá, hehehe), e carregar aquela tralha para lá e para cá era inconcebível por questões práticas. A solução de momento foi deixar os cases em um ponto meio remoto, próximo de um balcão onde aparentemente não ia acontecer nada de muito importante – e de frente para a parede de vidro da entrada do palácio, o que nos dava boa visibilidade do mesmo do lado de fora. Bom plano, não? Que nada. O lugar encheu de gente, e só se enxergava os cases com muito esforço. O balcão em questão sediou uma boca-livre de champanhe, ou seja, foi um dos lugares mais concorridos da noite. E eu levei um susto traumático que vou levar décadas para superar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim. Mais ou menos no intervalo entre filmes, o pessoal que estava fora decidiu se mandar lá para a entrada, no início da calçada, para pegar o Zezé Di Camargo e Luciano, que chegariam a qualquer momento e eram disparados as estrelas maiores da noite. E a Ana, se não me engano, ficou cansada de nada fazer e se mandou para dentro do palácio, assistir uns filmes. Ou ela foi embora? Não lembro – dá uma luz aí, Ana. De qualquer modo eu, que não estava fazendo nada, fiquei com a deprimente tarefa de ficar cuidando dos cases – do lado de fora, pois entrar no inferno que havia se tornado o saguão do palácio era, digamos, bem pouco convidativo. E lá estava eu, com cara de tacho, cuidando pelo vidro para ver se ninguém ia fazer besteira com nosso material. Era uma tarefa das mais degradantes e, juntando isso à minha frustrada ânsia por atividades mais movimentadas, acabei ficando bastante chateado mesmo. Ora, sem rodeios – fiquei irritado e enciumado da galera estar agindo e eu lá, tomando conta de bolsas ao invés de participar da brincadeira. Um sentimento negro, eu sei, mas o fato é que eu estava me sentindo péssimo. E fiquei lá, melancolicamente contemplando os cases enquanto a festa comia solta lá dentro, com a galera enfiando o pé no álcool livre sem pestanejar. Daqui a pouco, vislumbro um dos profissionais de rádio presentes (do qual, polidamente, declinarei em revelar o nome), aproximando-se perigosamente da pequena montanha onde nossas coisas estavam depositadas. Para efeitos de caracterização, digamos que o citado profissional encontra-se bem além do peso ideal, e havia bebido champanhe em serviço em níveis muito acima do socialmente aceitável – em uma atitude bem pouco profissional, aliás, mas enfim. Basta-nos saber que o cidadão estava tocado no álcool, trôpego de bêbado, mamadinho da silva, e ao ver a região onde nosso material estava como único local mais ou menos vazio à sua volta não teve dúvidas: para lá rumou, trançando as perninhas mas com a convicção de quem conhece seu destino. E o Igor aqui do lado de fora, vendo essa cena e começando a sentir o cheiro de tragédia no ar. Pois o cavalheiro parou bem em cima das bolsas e tripés, e começou a dar sinais evidentes de estar sentido fortemente o efeito dos excessos que cometera. Em dado momento, apoiou sua mão no vidro, e passou a cambalear visivelmente, prestes a cair desacordado ou coisa pior. Puta merda, pensei eu, o cara vai cair em cima de tudo. Imaginem a cena, caros (as) amigos (as): o cara encosta o rosto no vidro, muito mais para lá do que para cá, e eu vejo que ele já está com os olhinhos fechados, a boca aberta em um esgar de enjôo, a expressão facial de quem logo, logo vai mergulhar no maravilhoso mundo da inconsciência etílica. E eu do lado de fora do vidro, testemunha impotente daquela cena inacreditavelmente assustadora. Eu estava, naquele momento, a menos de dois metros dos cases em linha reta – mas uma parede de vidro me detinha, ao mesmo tempo em que cruelmente me permitia vislumbrar em detalhes aquele espetáculo dantesco. E a concentração de pessoas na entrada do palácio tornava minha entrada para resgatar os objetos, se não impossível, ao menos irrealizável antes de longos minutos de luta contra aquela massa humana. Amigos (as), era o inferno. Eu lá, desesperado, segurando aquele pudim de cana com os olhos, gemendo baixinho “não cai, não cai” e clamando a Deus para que me poupasse do desgosto de ver aquela tragédia ser consumada. E, seja dito, Deus existe e é uma criatura misericordiosa, pois de repente surgem dois seguranças, alertados por alguém lá dentro, e se põem a auxiliar o cavalheiro ao mesmo tempo em que tentam levá-lo para fora. Obrigado, meu Deus. Animado por essa intervenção divina, tomei coragem, encarei o amontoamento humano e fui resgatar os cases, em uma operação que me custou uns bons três minutos. E, como último ato, tenho a oportunidade de, chegando ao cenário do drama, ouvir o profissional de imprensa que quase me matara do coração minutos antes dizer para um dos seguranças, com voz engrolada e seriedade à toda prova: “Me diz uma coisa, o senhor acha que eu estou alterado? Se o senhor acha que estou alterado é porque o senhor não me conhece!”. O horror, o horror. Eu não seria a pessoa que sou se não soubesse a hora de sair à francesa – e me mandei, engolindo em seco, deixando o material todo lá fora, do meu lado, de onde eu poderia cuidar dele sem mais sobressaltos. Confesso que meu humor mudou, e eu até curti ficar sem fazer nada depois daquele susto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um tempo depois, a equipe começa aos poucos a se acercar de mim, e nos pomos a confabular sobre o que viria a seguir. Já era madrugada, e os astros sertanejos não tinham chegado ainda – muito embora fosse acima de dúvida que eles viriam, posto que era a grande estréia do filme “Dois Filhos de Francisco”, que retratava a história da família Camargo. A concentração de pessoas na volta da passarela e na entrada do palácio era um negócio absurdo, e era possível sentir a eletricidade no ar. Como os filmes anteriores já tinham sido bem registrados, decidimos que o trio Zeh / Débora / Pinky ia lá para a frente, tentar pegar a chegada dos caras, enquanto uma segunda equipe ficaria mais para trás, para pegá-los de frente depois do estouro inicial. Em princípio, eu não tinha nada a ver com a história, mas a Carol (uma das câmeras escaladas para aquele momento) teve um gesto magnânimo admirável e, reconhecendo que meu físico avantajado era mais adequado para a guerra que se aproximava, cedeu-me o privilégio de empunhar a segunda câmera. Muito obrigado, minha linda, fiquei te devendo (mais) uma. Então fomos eu, a Anne (repórter) e a Carol (agora nossa produtora volante) nos posicionarmos para esperar pelo inevitável. Teve alguns alarmes falsos – um deles, especialmente cômico, envolvendo o Danton Vigh, que não conseguia entender o que aquele mundo de repórteres e cinegrafistas queriam em volta do veículo dele – mas por volta da uma da manhã eles chegaram. E foi algo digno de nota.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu posso dizer que foi como testemunhar a chegada de uma tempestade. De uma hora para a outra, a noite se encheu de gritos histéricos, a selvageria se instalou entre a imprensa na busca do melhor ângulo, e os seguranças entraram na roda, distribuindo pau a torto e a direito. Por cerca de dez minutos ficamos nós três lá, presenciando aquele espetáculo mesmerizante – e era como sentir a batalha próxima, o cheiro de sangue se avizinhando em uma luta de vida ou de morte. Em poucos momentos, seria matar ou morrer – e, devo dizer, ao menos para mim foi uma sensação gloriosa. Meu sangue ancestral se manifestou, e eu me senti elétrico e ansioso pelo momento do ataque. Quando chegou a hora de mergulhar no caos, eu estava pronto. E, me perdoem a falta de modéstia, mas acho que fomos todos muitíssimo bem nessa prova de fogo. Foram quinze minutos no olho do furação – eu levei uma tremenda cotovelada na altura dos rins que ficou me doendo uns dois dias (e num momento em que eu estava com a câmera lá em cima, e tive que respirar fundo para não largá-la no espasmo da dor), fui arrastado pela maré, vi gente apanhando bonito da segurança, e não me perguntem como eu e a Anne conseguimos superar tudo aquilo e entrar na sala de exibição, porque eu não faço a menor idéia. Aliás, aproveito de público para cumprimentar efusivamente a Anne pela extraordinária coragem naquele momento. Presa a mim por um cordão umbilical chamado microfone, ela foi arrastada durante toda aquela loucura, e por vários momentos eu simplesmente a perdia de vista, para revê-la instantes depois, do meu lado, lutando bravamente para sobreviver àquela situação absurda. E, depois da guerra, ainda teve calma e presença de espírito para aproveitar a chance e fazer uma longa exclusiva com o Luciano, com perguntas ponderadas e relevantes. Show de bola. Um brinde a Anne Ledur, que embarcou no trem em movimento e se saiu muitíssimo bem. Hip Hip Hurra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois da batalha, faltava saúde para ir adiante. Peguei algumas imagens do discurso de Zezé e Luciano antes do filme, e até um trecho dos dois cantando “Querência Amada” – o que renderá um final antológico para o Caderno 2 abordando esse dia do festival. Mas, findo esse serviço, não tinha condições de permanecer lá e assistir o filme – eram quase duas da manhã, todo mundo exaurido pelo dia estafante, e quarta feira era um outro dia. Assim sendo, fizemos uma janta meia boca no mesmo lugar do dia anterior (e menos mal que não voltamos mais a comer lá, pois eu já estava de saco cheio), pegamos a condução oficial e fomos direto para o hotel, descansar o corpo e a mente. Ainda demorei um pouco para dormir – sabe como é, a adrenalina estava alta, e ficamos eu, o Zeh e o Pinky um bom tempo ainda falando besteira e dando risada. Coisa que, no decorrer do festival (e com a ajuda da Carol, nossa agente infiltrada no meio das repórteres, hehehe), nos tornamos especialistas em fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas sobre isso eu falo mais tarde.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13908098-112656121238604402?l=eraumavezemportoalegre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eraumavezemportoalegre.blogspot.com/feeds/112656121238604402/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13908098&amp;postID=112656121238604402&amp;isPopup=true' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13908098/posts/default/112656121238604402'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13908098/posts/default/112656121238604402'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eraumavezemportoalegre.blogspot.com/2005/09/era-uma-vez-em-gramado-parte-ii-de-vi.html' title=''/><author><name>Igor Eastwood</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17275060186973614016</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='26' src='http://www.screensavershot.com/persons2/clint.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13908098.post-112596889996653480</id><published>2005-09-05T18:05:00.000-07:00</published><updated>2005-09-05T18:08:19.976-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;ERA UMA VEZ EM GRAMADO (parte I de VI)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Então tá... Chegou o momento que TODOS estavam esperando. Depois de duas semanas para relaxar e acomodar as idéias, eis que começam os relatos de minha semana no festival de Cinema de Gramado, como um dos câmeras da equipe da UFRGS que foi cobrir o evento. Como eu não estou muito criativo ultimamente, vou simplesmente apelar para o esquema “diário de bordo”, listando o que se deu em cada um dos dias de nossa estadia. Pode ser? Claro que pode.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comecemos, então, com...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PARTE I – O SUPER TRUNFO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caímos na estrada na manhã de 15 de agosto, que – vejam só – vem a ser igualmente o dia de meu aniversário. Quando digo “caímos”, refiro-me a mim mesmo, Zeh, Pinky, Débora, Carol, Anne e Ana – além do professor Kleber e sua esposa e do simpático e prestativo César, que levou e trouxe a galera no apertadinho furgão da UFRGS. Foram, previsivelmente, duas horas de gritedo e alarido, com algumas tiradas antológicas (por exemplo, estou até agora devendo um bugio para a Carol, hehehe) e singelas (mas comoventes) lembranças à data em questão. Enfim, chegamos ao aprazível lugarejo em que o festival de cinema se desenrola. Nesse ínterim, conhecemos o centro de eventos da UFRGS, a salinha onde a UFRGS guardaria seu material de trabalho e as pessoas que trabalhariam por lá, entre elas o valoroso segurança Ivanir (guarde esse nome, ele será importantíssimo daqui por diante) e o pessoal da recepção. Pegamos nossos crachás, nossos vale-rango e, na seqüência, a idéia era irmos para o hotel para (mais ou menos) nos instalarmos, pois no fim da tarde tinha a abertura do festival e deixar de fazer a cobertura era impensável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aliás, um parênteses: que maravilha, comer e beber de graça. Seis almoços totalmente na faixa, subsidiados pela produção do festival – alguns meio chinfrins, mas outros de tirar o chapéu. Na segunda, por exemplo, rangamos no Mercury Hotel (é assim mesmo que se escreve? Me ajudem), um almoço cheio de requinte que teria custado 25 reais por cabeça caso tivéssemos mesmo que pagar, hehehe. Isso sem contar as barbadas do centro de eventos, onde estava rolando a feira das universidades e de equipamentos para TV. Café, por exemplo, era consumido como água – duas ou três máquinas da Nescafé estavam lá, inteiramente à disposição dos viciados, fornecendo expressos, capuccinos e mokaccinos a quem quisesse pegar, sem qualquer custo. Chato era depois, de madrugada, e o Pinky aceso graças às dezenas de copos de café que tomou e que não deixava a gente dormir... Tinha um stand da Bohemia também, aberto em momentos estratégicos – e, convenhamos, negar quando te oferecem Bohemia de graça é até desaforo. Fora os coquetéis que rolavam todo dia, com pães, cucas, refrigerantes, champanhe, chope de vinho (ahhhhh, delícia!) e muitas coisas mais. Chato era que quase sempre que rolava essas barbadas eu estava trabalhando ou indo trabalhar, de modo que só podia aproveitar superficialmente todo esse festim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo muito bonito, tudo muito bem, mas uma nota dissonante soou em nossa bela sinfonia quando fomos apresentados ao “stand” da UFRGS na referida feira. Aliás, na verdade não fomos apresentados, posto que o citado “stand” praticamente não existia: era, isso sim, uma piada, e das pouco inspiradas eu diria. Não tinha nada lá, exceto o que nós mesmos tínhamos levado: uma TV, um videocassete (estragado) e algum material promocional. Nada para colocar nas paredes, nada para apresentar, só uns móveis chinfrins que tivemos que obter meio que à força, e era isso. Como éramos uma equipe reduzida, nenhum de nós poderia ficar lá para cuidar do lugar. E, passando pelos stands de outras universidades, ficava escancarado o abandono do qual éramos vítimas, e a falta de cuidado da nossa UFRGS com algo que era, antes de tudo, seu.  Uma vergonha, um desgosto, coisa de partir o coração. Não nego que a salinha acabou sendo útil para nós – alguém tinha terminado o serviço, ou dado uma passadinha no hotel, e lá era o ponto de encontro da gurizada. Mas só, também. Vergonha, vergonha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim. Um pouco antes de nos tocarmos para o hotel, surge a idéia de deixar uma lista do material que tínhamos trazido para a segurança do centro de eventos, de modo que eles tivessem o mínimo controle sobre o que a gente estava fazendo. Tínhamos só uma cópia da lista no entanto – cópia que, não contem para ninguém, acabou ficando comigo, e ainda está como um souvenir aqui em casa, hehehehe. Tá, vamos tirar um xerox – e lá nos fomos, eu, o Pinky e o Zeh, atrás de algum lugar para fazer a cópia. Andamos um pouco pelas ruas vizinhas, até encontrarmos uma lojinha que tinha a tal tecnologia. Entramos, e logo na entrada tinha um monte de brinquedos, daqueles bem baratos tipo 1,99 – e, obviamente, lá se vão os três marmanjos a bisbilhotar alegremente, comentando sobre os carrinhos, bonequinhos e arminhas de plástico com a propriedade de veteranos no ofício. De repente, não sei qual dos dois viu primeiro, mas lá está: um super trunfo dos Cavaleiros do Zodíaco. Só quem foi moleque na segunda metade dos anos 90 sabe do valor inacreditável que essa verdadeira relíquia tem para quem hoje está na volta dos vinte anos. Tenha visto primeiro ou não, Pinky ergue a voz comovida e grita: “eu vi primeiro!”, instaurando-se a partir daí uma briga feroz entre ele e o Zeh para ver quem ficaria com a preciosidade. Eu, que embora conhecesse o valor sentimental da peça não estava muito disposto a derramar sangue por ela, tratei de tirar o xerox, enquanto o Pinky e o Zeh digladiavam-se encarniçadamente em uma luta de morte. A vendedora acabou oferecendo até um jogo duplo com tabuleiro e tudo para os dois – não só querendo apaziguar aquela guerra que ameaçava destruir seu estabelecimento, como sentindo a possibilidade de lucrar a valer em cima daquela dupla de malucos. Mas, no fim das contas, o Pinky acabou fazendo mais manha e levou consigo o super trunfo, debaixo da decepção do pobre Zeh – o que não impediu o novo proprietário do jogo de levar uma surra histórica na única partida que vi ser disputada com o mesmo até agora, sendo humilhado impiedosamente por um Zeh sedento de sangue. Menos mal que não tinha nenhum super trunfo do Star Wars, pois daí teria sido mesmo uma tragédia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tá. Jogamos nossas coisas no hotel, almoçamos e ficamos de bobeira um tempinho, até chegar a hora do batente. Falamos com algumas figurinhas que estavam dando sopa, e depois nos tocamos para o Palácio dos Festivais. O primeiro dia foi tranqüilo – a cerimônia de abertura foi bonitinha, e as exclusivas com gente tipo Tarcísio Meira e Glória Pires foram relativamente fáceis de obter. Nosso esquema de trabalho nas noites gramadenses consistia em dividir a equipe em duas – um repórter e um câmera entravam no palácio, cobrindo os acontecimentos lá dentro, enquanto outra dupla ficava lá fora, esperando as celebridades e fazendo o possível para falar com elas. Os outros, querendo, estavam dispensados – mas, posto que fomos uma equipe unida para caramba, que tínhamos ingresso de graça para todos os dias e que ficar coçando no hotel não tinha graça nenhuma, na maior parte do tempo ficava todo mundo por lá mesmo. No primeiro dia, eu fiquei sentadinho lá dentro, assistindo os filmes e tal. Acho que minha repórter era a Ana, mas não tenho certeza (se não era, desculpe a nossa falha). Assisti quatro curtas, um chinfrim (Desejo), dois com boas idéias e resultado final razoável (Tempo Real e Balaio) e um bem bonitinho que, por algum motivo, me agradou bastante (Os Olhos Do Pianista). Sabe como é, ando meio sensível... Teve ainda o documentário “Soy Cuba – O Mamute Siberiano” (muito bom, muito bom – Kalatozov é mestre!) e o longa de ficção “Carreiras” (legal, mas meio monótono às vezes e com uma linguagem teatral que, embora intencional, não me agradou muito). Nesse dia surgiu um dos bordões da nossa equipe, inspirado pelas palavras da personagem de Priscila Rozembaum – “acorda, macacada!”. Falando em bordões, nós (em especial os câmeras que fazem “Ahn? Ahn? Ahn?”) estávamos especialmente inspirados nesses dias, tendo criado o que eu só posso chamar de uma cosmogonia própria – formada por anões, pessoas que queimam calorias muito rápido, o heróico Ivanir e a chave da salinha e muitas outras, que aprofundarei na medida da memória e da conveniência. Em suma, vi os filmes, fiz um rango caro e não muito bom numa lancheria / confeitaria ali na volta (com direito a parabéns, discurso desse que vos fala e onde o grande Zeh negou-se a pagar os 10% pelo atendimento, em uma atitude antológica) e me toquei para o hotel puxar um sono, afinal estava aceso desde as 6h e nos outros dias o negócio ia pegar. E pegou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas isso é outra história.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13908098-112596889996653480?l=eraumavezemportoalegre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eraumavezemportoalegre.blogspot.com/feeds/112596889996653480/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13908098&amp;postID=112596889996653480&amp;isPopup=true' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13908098/posts/default/112596889996653480'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13908098/posts/default/112596889996653480'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eraumavezemportoalegre.blogspot.com/2005/09/era-uma-vez-em-gramado-parte-i-de-vi.html' title=''/><author><name>Igor Eastwood</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17275060186973614016</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='26' src='http://www.screensavershot.com/persons2/clint.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13908098.post-112391220682716772</id><published>2005-08-12T22:45:00.000-07:00</published><updated>2005-08-13T21:27:57.933-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;DA SÉRIE "O BLOG É MEU, EU POSTO O QUE EU QUISER":&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Alguns mini-textos escritos no passado (não tão) distante, em momentos nos quais eu evidentemente não estava me sentindo muito feliz:&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;1. Deus disse: “Faça-se a luz!”.&lt;br /&gt;E nada aconteceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2.Após ouvir Morpheus e Trinity com atenção, Neo respondeu:-"Prefiro a pílula vermelha".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3.Uma pomba negra, cansada de voar sob o sol avermelhado, decidiu pousar mansamente sobre uma cabeça coberta por um chapéu velho e fora de moda.&lt;br /&gt;E Lee Harvey Oswald errou o tiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4.Aquele era o riacho onde corria a água da vida, a sabedoria das eras e o sabor da Criação. Quem daquela água tomasse seria purificado, e em paz e em harmonia viveria até o fim de seus dias.&lt;br /&gt;E o trem passou reto.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Tudo bem, talvez eu poste coisas mais animadas da próxima vez.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ah, e um aviso a quem interessar possa: estou indo para Gramado, fazer a cobertura do festival de cinema. Ou seja, sumirei por uns tempos - mas quando voltar certamente hei de ter muito o que contar. Até.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13908098-112391220682716772?l=eraumavezemportoalegre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eraumavezemportoalegre.blogspot.com/feeds/112391220682716772/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13908098&amp;postID=112391220682716772&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13908098/posts/default/112391220682716772'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13908098/posts/default/112391220682716772'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eraumavezemportoalegre.blogspot.com/2005/08/da-srie-o-blog-meu-eu-posto-o-que-eu.html' title=''/><author><name>Igor Eastwood</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17275060186973614016</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='26' src='http://www.screensavershot.com/persons2/clint.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13908098.post-112284095457827162</id><published>2005-07-31T13:03:00.000-07:00</published><updated>2005-07-31T13:15:54.586-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;ECOS DO OITAVO ANDAR - Pts. I e II&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, arregacemos as mangas e comecemos a colocar conteúdo de (alguma) qualidade por aqui. Atendendo a alguns (poucos) pedidos, postarei aqui o conto "8º Andar", que foi um dos premiados na promoção fabicana "Ecos do Oitavo Andar", organizada por um pessoal muito gente fina em 2004. A idéia era escrever uma história de terror baseada nos mitos do oitavo andar de minha (no mais das vezes) agradável faculdade - mas eu me passei um pouco, e acabei enfiando a mesa de sinuca na história também. Bom, parece ter agrado, como o prova meu exemplar de "Histórias Extraordinárias" de Poe, ocupando lugar de honra na minha estante, hehehe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, para quem já conhece o conto em questão, um bônus: o primeiro mini-conto que escrevi sobre as lendas do oitavo andar, obra que eu julgava perdida há muito tempo e que por acaso encontrei nos meus papéis um dia desses. Trata-se, simplesmente, da transcrição de um bilhete - bilhete que é referido na história que foi premiada. Seja como for, poderia ser o começo de um arco de histórias - e quem sabe vire mesmo... Veremos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De qualquer modo, lá vai:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;1. NOTA ENCONTRADA NO DIA 23 DE MAIO DE..., NO INTERIOR DE UM ELEVADOR DESATIVADO DA FABICO:&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Meu nome é ..... e estou prestes a embarcar no maior desafio de minha vida. As portas do elevador acabaram de se fechar; onde abrirão, é impossível dizer. Escrevo essas linhas com um toco de lápis, em um papel que encontrei na mesa do saguão; prenderei a nota na parede com um chiclete que encontrei na sola de meu sapato. Se eu não retornar, ao menos esse documento dará testemunho de minha tentativa.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Desde muito tempo tenho tentado decifrar os segredos que envolvem o oitavo andar desse edifício. Boatos furtivos, segredos ao pé do ouvido e lendas sussuradas em voz baixa: estou prestes a desvendar a verdade por trás de todos eles. O "Necronomicon" escondido em uma estante empoeirada da biblioteca esclareceu muitos pontos: os pentagramas foram desenhados, as evocações recitadas, e agora domino a sequência secreta que me levará rumo ao coração do desconhecido.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Aperto os botões malditos com mãos trêmulas. Há eletricidade no ar - eu posso sentir. As engrenagens entram em movimento, e meu coração entra em disparada. Está feito - não há mais volta. Rezem por mim, meus amigos.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Rezem por minha alma.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;----------------------------------------------------------------------------------&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;8º ANDAR&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Não posso. Não mais poderei, sob nenhuma circunstância, por qualquer motivo, retornar àquela sala ao fim do corredor de entrada, o lugar amaldiçoado onde o caos viceja e as trevas riem à socapa quando o silêncio cai. Toda a fortaleza de minha alma foi necessária quando passei diante daquele lugar ao cair da noite passada – minha alma gemeu ao ver os jovens universitários em alegre convívio lá dentro, e quase não fui capaz de controlar os gritos histéricos quando vi a mesa maldita, zombeteira e maléfica, desviar uma das bolas de sinuca de seu curso natural em uma curva impossível, para depois alojá-la em uma das caçapas do lado direito. Fugi, confesso-o sem hesitar; e, se os que lá ficaram riram da cena absurda, é porque não sabem o que eu sei. Só de pensar que esses ingênuos pretendem tentar rifá-la... Mas não; não posso mais pensar nessas coisas. Devo deter esse impulso, ou enlouquecerei.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Desde meu ingresso na Fabico, no distante segundo semestre de ....., que me sentia intrigado com as lendas e crendices que cercam o oitavo andar deste edifício. Inacessível para quase todos, tal pavimento seria uma simples anedota, uma brincadeira gerada pela discrepância entre os números do elevador e a realidade física do edifício. Mas nem todos se deixam seduzir pelas respostas fáceis ou por evidências estéreis e pueris – e por isso me engajei na busca da verdade, mergulhando em estudos sombrios e negligenciando minhas cadeiras em prol de um conhecimento maior. Remexi arquivos empoeirados, investiguei registros sombrios e por fim obtive o tenebroso “Necronomicon”, o livro maldito do árabe louco Abdul al Hazred do qual a biblioteca da Fabico possui provavelmente o único exemplar no Brasil. Ri e reli suas páginas infernais, até dominar os encantamentos e me sentir capaz de empreender a viagem final rumo ao coração da verdade. Aproveitei uma véspera de feriado, sete e meia da manhã, e me muni dos elementos necessários para o ritual. Que o Todo-Poderoso me ajudasse: eu estava pronto.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Antes de mais nada, tomei um toco de lápis, um panfleto esquecido na mesa do saguão, e escrevi uma breve nota para o caso de não retornar, colando-a dentro do elevador com um chiclete que encontrei na sola de meu sapato. Essa é a nota a qual alguns tiveram acesso, e que por tempos fomentou discussões sobre meu desaparecimento. Agora que retornei, todos a desconsideram, mas se eles soubessem... Desenhei os pentagramas, entoei os cânticos e digitei cuidadosamente a senha secreta, a qual só obtive por acaso, recitada por um senhor arredio ao qual os alunos mais antigos chamam de Osório. O erro dos que me antecederam foi justamente esse: insistiam tolamente em pressionar o oito do painel, ignorando que só a seqüência correta no ritmo exato poderia produzir o resultado esperado. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Ao pressionar a tecla PO, a última da seqüência maldita, pude imediatamente sentir a vibração de ondas funestas sobre mim. Raios bruxuleantes de luz indescritível cruzavam o ar em sucessão contínua, enquanto o mecanismo imemorial era acionado e o elevador se erguia rumo a seu destino. Senti-me tomado por intensa comoção enquanto era levado ao andar secreto e, imprudente e arrogante aprendiz que era, julguei-me prestes a adentrar uma ordem superior, um seleto grupo de escolhidos aos quais eram reveladas as delícias de uma nova existência. Tolo, tolo que fui! Pois o que vi não foi glória, foi destruição; o que senti não foi júbilo, mas sim o terror cósmico em sua mais nefasta dimensão. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;E mais não direi. Por sete longos dias lá estive, e sobre o que lá descobri devo calar. Não ousarei descrever o que foi feito de mim quando as luzes se apagaram, não relatarei o que tive que fazer para empreender minha fuga, tentarei nem pensar no que meus olhos viram, ou julgaram ver, quando adentrei os domínios malditos dos quais a mesa de sinuca do Dacom é tão somente a mais visível e menos perigosa manifestação. Não falarei dos seres que às vezes visitam tal mesa, das criaturas obscenas que outrora dominaram a sala de sinuca e o jardim de inverno – e que, sonhando e odiando, aguardam o momento exato para deixar seu exílio no oitavo andar e retomar o que já foi seu. Depois da mesa, virá o aparelho de som que estraga em todas as festas; um mal sempre sucede ao outro, e logo os que hoje ocupam o espaço dos antigos terão que sair, vítimas da morte rastejante ou de algo pior. A mesa de sinuca de lá não sairá, pois ela é o portal; qualquer rifa ou doação está condenada ao fracasso. Quanto a mim, mudarei de curso; já tenho comigo os papéis de transferência. Na Fabico, não pisarei nunca mais.&lt;br /&gt; &lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13908098-112284095457827162?l=eraumavezemportoalegre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eraumavezemportoalegre.blogspot.com/feeds/112284095457827162/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13908098&amp;postID=112284095457827162&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13908098/posts/default/112284095457827162'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13908098/posts/default/112284095457827162'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eraumavezemportoalegre.blogspot.com/2005/07/ecos-do-oitavo-andar-pts.html' title=''/><author><name>Igor Eastwood</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17275060186973614016</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='26' src='http://www.screensavershot.com/persons2/clint.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13908098.post-112209799704803154</id><published>2005-07-22T22:45:00.000-07:00</published><updated>2005-07-22T22:53:17.056-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Hoje de tarde eu mexi na defunta. E foi muito legal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;OK, OK, situando quem não faz a menor idéia do que eu estou falando. Trabalhador que sou do Estúdio de TV da faculdade de Comunicação Social da UFRGS, tenho comparecido regularmente ao núcleo de TV, mesmo estando oficialmente em férias. Na verdade, tenho muita coisa para fazer, referente à minha futura participação na cobertura do festival de cinema de Gramado (claro que eu vou contar todos os podres aqui, fiquem tranqüilos), ao Circuito Interno da faculdade que eu acabei de assumir e mais umas coisinhas. Então, algumas tardes por semana me desloco para a faculdade, e fico por lá fazendo alguma das coisas que tenho que fazer - muito embora esse trabalho não impeça alguma diversãozinha vez por outra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"A defunta" é a alcunha que eu e alguns colegas de Estúdio demos para a que possivelmente é a melhor câmera disponível no local, um Panasonic profissional em DV tipo a que se usa em emissoras de televisão. Apesar de boa, o fato é que quase nunca temos a oportunidade de mexer na maldita, que fica a maior parte do tempo descansando em paz em uma enorme mala com rodinhas, em cima de um dos armários - daí o apelido. Motivos para isso? Bem, não tem fita para a mesma - em média uns R$100, muito além do que a nossa Mãe UFRGS está disposta a pagar por material tão vulgar. Mas, na verdade, boa parte do problema é também de cunho humano - nosso coordenador, o venerável professor Kleber Ferreira, não sente firmeza para largar tal tesouro na mão do pessoal, o pessoal tampouco sabe mexer na distinta, não se sai dessa situação e a coisa se perpetua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então. Já é meu sonho de longa data botar "a defunta" em uso de uma vez por todas. Primeiramente, tentei garantir o uso da câmera para a produção de "História de Bar", curta em vídeo que foi minha primeira experiência na direção - breve, em um cinema perto de&lt;br /&gt;você. Chegou a estar tudo acordado, mas mestre Kleber repensou a situação e disse não na Hora H. Agora, a bola da vez é Gramado - pelo menos os momentos nobres do festival (cerimônias de abertura e encerramento) ficariam perfeitos se registrados com esse equipamento. A questão é saber o mínimo do funcionamento da defunta, torcer para que liberem verba para as fitas DV (sim, eu sei, mas esperança é a última que morre) e, daí, bater aquele papo amigo com o venerável Professor. Quarta à tarde, eu, o Pinky e o Zeh saímos à cata das baterias da dita cuja. Localizamos três, que botamos para carregar. Meu bom técnico Enrico deve estar realmente preocupado com assuntos pessoais, uma vez que não percebeu absolutamente nada - e só hoje à tarde, quando retornei ao local, tirei as mesmas do carregador e me pus ao aprendizado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quer dizer, me pus em termos. Cadê o manual da dita cuja? A Kaká estava presente no local e é testemunha (e cúmplice) do meu esforço: viramos o NEPTV de cabeça para baixo, à cata do maldito manual, e necas. Encontrei mais duas baterias da dita câmera que eu desconhecia, achamos coisas incríveis (até uma montanha de scripts para máquina de escrever, que devem estar obsoletos há uns quinze anos), demos boas risadas, mas manual de instruções nem pensar. Acabei achando um muito parecido, mas para fitas VHS - pouco, mas de qualquer modo melhor do que nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fazer o quê? Vamos fuçar às cegas mesmo. Nada muito surpreendente por enquanto - um zoom manual muito preciso, controle de zebra bem legal, menu meio complicado, essas coisas básicas que se descobre na primeira olhada. Certamente precisarei me dedicar mais à defunta - e a encontrar o manual dela, que será fundamental muito em breve. Brinquei por cerca de uma hora e, cansado da busca por informações técnicas e já com dor de cabeça, deitei a defunta em seu leito e guardei ela de novo lá em cima, para repousar em paz durante o fim de semana. Mas segunda feira já está logo aí - ela que me aguarde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A moral da história, na verdade, é o que eu senti enquanto mexia na defunta, enquanto procurava o manual dela e encontrava relíquias escondidas do estúdio de TV. As coisas tem que ser usadas, e não ficarem guardadas em um canto: se ninguém mexe, elas não estragam, mas tampouco servem para coisa alguma. Aqueles manuais todos, escondidos em caixas e malas empoeiradas - eles têm que estar à vista, para quem quer que esteja trabalhando no estúdio poder mexer neles. Os scripts que eu achei, vestígios de uma era que já se foi: que virem blocos de anotações, papel para rascunho, que sejam úteis para alguma coisa. Parados naquele armário, não me servem de nada, só para ocupar espaço. Não que eu queira o oba-oba, a liberdade total que alguns gostariam que fosse aplicada ao NEPTV, com pessoas sem a menor condição metendo a mão em tudo - tolos, que acham que só porque existem regras elas são sinônimo de autoritarismo e repressão. Mas que se use o que se pode usar, com responsabilidade e bom senso - e, para as pessoas diretamente interessadas no uso, que corram atrás da máquina ao invés de ficarem dizendo que "não dá para fazer" ou que "ninguém deixa".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fechando esse depoimento / desabafo, um bilhete que eu pensei em escrever e esconder em algum canto do estúdio de TV (talvez eu ainda faça isso):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;EXPLORADOR DOS SEGREDOS DO ESTÚDIO DE TV:&lt;br /&gt;Você está no caminho certo. A resposta virá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era isso. Para quem me seguiu até aqui, meu muito obrigado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13908098-112209799704803154?l=eraumavezemportoalegre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eraumavezemportoalegre.blogspot.com/feeds/112209799704803154/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13908098&amp;postID=112209799704803154&amp;isPopup=true' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13908098/posts/default/112209799704803154'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13908098/posts/default/112209799704803154'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eraumavezemportoalegre.blogspot.com/2005/07/hoje-de-tarde-eu-mexi-na-defunta.html' title=''/><author><name>Igor Eastwood</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17275060186973614016</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='26' src='http://www.screensavershot.com/persons2/clint.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13908098.post-112028352712651897</id><published>2005-07-01T22:49:00.000-07:00</published><updated>2005-07-01T22:52:07.130-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;À GUISA DE INTRODUÇÃO...&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era uma vez em Porto Alegre um blog que queria ser diferente, mas na verdade era como outro qualquer. Um desocupado, um computador ocioso e, às vezes, alguma coisa a dizer: é isso que vocês encontrarão por aqui, de modo que desde já estão bem avisados. Eu, pessoalmente, me sinto longe de ser uma pessoa vocacionada para o mundo virtual: na verdade, dá para dizer que esse blog é, de certo modo, um acidente. Mas, às vezes, me dá vontade de dizer alguma coisa, na ingênua esperança de que alguém estará interessado em ler - e é o que farei por aqui, sempre que me der na telha.&lt;br /&gt;Era uma vez em Porto Alegre, enquanto nome do blog, não é simplesmente um título metido a descolado ou uma frase de efeito sem efeito algum. Eu o encaro como uma confissão e uma declaração de princípios. Eu sou, vocês verão, uma criatura das mais dramáticas na descrição do que me cerca: qualquer chuvinha de verão vira tormenta quando sou eu quem conta a história. Meu ânimo é variável, meu senso de humor é bizarro e minha convicção nas idéias, às vezes, é pura cabeça-dura. Mas, por outro lado, dou início a esse blog com a esperança de, sempre que vocês derem uma passada por aqui, encontrem algo minimamente interessante. Mas, vejam lá, não garanto nada.&lt;br /&gt;Eu leio e escrevo histórias, e vocês encontrarão isso por aqui. Eu ouço e toco música, e vai ter isso por aqui. Eu vejo e faço filmes, e isso estará por aqui também. Então, se está bom para vocês, para mim está bem também. Muito obrigado pela atenção, e espero que aproveitem a viagem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13908098-112028352712651897?l=eraumavezemportoalegre.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eraumavezemportoalegre.blogspot.com/feeds/112028352712651897/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13908098&amp;postID=112028352712651897&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13908098/posts/default/112028352712651897'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13908098/posts/default/112028352712651897'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eraumavezemportoalegre.blogspot.com/2005/07/guisa-de-introduo.html' title=''/><author><name>Igor Eastwood</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17275060186973614016</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='26' src='http://www.screensavershot.com/persons2/clint.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry></feed>
